Professor João Barberino Doutor na Amazônia

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Brasileiro, mas com sangue italiano

Fale sobre a comunidade tracchinesa em Miguel Calmon (Bahia – Brasil)0

 

 di Martina Marotta

Hoje tenho o prazer e a honra de conversar com João Barberino, médico, especialista em doenças tropicais. João Barberino Santos se formou em medicina pela Universidade Federal da Bahia em 1970, com mestrado em Medicina Tropical na Universidade de Brasília (1978) e doutorado em medicina (Medicina Tropical) na Universidade Federal de Minas Gerais (1995). Atualmente, ele é professor aposentado da Universidade de Brasília. Tem uma longa experiência em Medicina Tropical, particularmente em doenças agudas ictero- hemorrágicas e malária. Suas teses “Febre negra na região de Lábrea – Amazonas” e “Estudo sobre o uso de mosquiteiros impregnados com deltametrina em uma área endêmica de malária na Amazônia Brasileira” são importantes. Ele realizou muitas tarefas, tanto como médico quanto como pesquisador e professor da Universidade de Brasília (UnB). Foi médico clínico e diretor da Unidade Mista de Lábrea, Diretor do Centro de Pesquisas em Malária do Vale do Guaporé e Professor da Faculdade de Ciências e Tecnologia. Possui uma longa lista de publicações científicas em periódicos nacionais e internacionais.

O Dr. Barberino, em sua longa carreira como médico, pesquisador e professor universitário, teve a grande
oportunidade de viver em contato próximo com os habitantes da Amazônia. Ele estudou e tratou suas doenças passando longos períodos com elas. Você pode nos contar alguns episódios que o impressionaram mais em sua missão como médico?

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Na década de 70 quando trabalhei em Lábrea, uma cidade localizada no Alto Purus, no estado do Amazonas, as condicões de vida, de uma maneira geral, eram muito precárias, O rio Purus é um dos afluentes da márgem direita do rio Amazonas, em plena selva. Não haviam estradas rodoviárias e o acesso era por via fluvial em barcos a motor que levavam vários dias para chegar, havia também raros aviões monomotores, chamados teco-teco, a partir das capitais mais proximas, mas esses vôos sobre a floresta amazônica em aeronaves rudimentares eram cercados de muitos perigos, principalmente quando havia tempestades, muito frequentes na região. Como diretor do hospital local, eu me ressentia da falta de medicamentos que demoravam de chegar de Manaus, a capital do estado, principalmente de antibióticos, devido á grande quantidade de acidentes com facões, anzois, peixes que penetravam nas vias urinárias, ataques de piranhas e de arraias, incluindo escalpelo das longas cabeleiras das moças que se enrolavam por descuido na hélice do motor dos barcos e provocavam extração de áreas do couro cabeludo, e outros acidentes. Houve muitos fatos e acontecimentos bizarros, como partos feitos no chão, sob o leito, porque a parturiente primigesta vinda do fundo das selvas nunca tinha visto um médico e o temia tanto quanto o ato do parto, se escondendo aos gritos debaixo da cama onde já se encontrava em trabalho de expulsão do feto. Tratar dos indígenas também era um tanto complicado, eles geralmente vinham em grupos e permaneciam vigilantes acampados na periferia do hospital enquanto o parente, ou a parente, era internado, ás vezes ameaçando matar o médico se o parente moresse. Algumas vezes fui chamado para ir atender paciente com febre negra nas comunidades ribeirinhas, viajando horas em canoa de remos, quando não havia disponivel alguma lancha ou canoa a motor, nesses casos sempre já encontrando o paciente sem vida e tendo de fazer a autopsia sem luvas e com instrumentos rudimentares, como lâmina de barbear, que me cortava acidentalmente havendo contaminação das lesões com o sangue e secreções do falecido. Pelo menos, desta forma, ficou comprovado que a doença não era contagiosa porque mesmo assim nunca a contraí.

Seu último trabalho editorial foi publicado recentemente. Mais uma vez um livro excepcional. Você pode
descrever brevemente o conteúdo e as emoções ligadas a ele?

Medicos-dos-Tropicos-lultimo-libro-di-J.-Barberino

Dr. Barberino, nasceu e viveu sua infância em Miguel Calmon, um pequeno municipio do estado da Bahia. As celebrações pelos cem anos de história deste lugar, também chamado de “Pequena Suíça Baiana” acabaram de terminar. Ele conheceu a comunidade italiana, vindo de Trecchina, que morava na cidade. Pode nos dizer alguns episódios que se lembra referentes à presença dos Trecchinesi em Miguel Calmon. Eu faço alguns nomes: Miguel Isabella, os irmãos Antonio e Vicente Micucci, Donato Zottoli e seu pai Carmine, Carmelo Isabella. O que esses nomes o lembram?

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Com todo prazer. Porque falar dos italianos em Miguel Calmon é quase como que falar dos meus 
próprios parentes. Desde criança os conheci. Primeiramente o Sr. Miguel Isabella, próspero comerciante exportador dos produtos agrícolas e pecuários da região e que chegou a ser prefeito do município. Ele também tinha um escritório comercial em Salvador, a ora distante capital do estado, onde ele passava tempos e onde eu não tinha nenhum parente. Quando para lá fui sozinho, com 11 anos de idade, para iniciar meus estudos secundários, ele se dispôs ao meu pai para me ajudar em qualquer necessidade. Naqueles tempos de poucos meios de transporte e de precárias estradas de terra, viajei de cortesia muitas vezes em seus caminhões de carga para ir e vir a Salvador. Devo-lhe essa importante ajuda em uma fase dificil da minha vida. Os irmãos Antônio e Vicente Micucci, um pouco mais velhos que eu, foram amigos da juventude embora com pouco contato porque eles sempre estavam atarefados em sua grande loja de diversos produtos no centro da cidade. Lembro-me perfeitamente deles como jovens jornaleiros entregando de porta em porta o exemplar do jornal “A Tarde” aos seus assinantes, cultivando desde cedo o senso de luta pela vida. Já adultos e prósperos comerciantes, se tornaram grandes benfeitores do hospital da cidade como seus provedores em diferentes épocas, ampliando-o, modernizando-o e importando modernos aparelhos sofisticados de diagnóstico. Já Donato Zottoli, conheci-o como a um irmão por ser meu cunhado, casado com minha irmã, Suzane Zottoli, pai dos meus queridos sobrinhos Rosane e Donato Jr. (Rosane já adquiriu cidadania italiana e está fazendo curso de língua italiana). A principio, com seu pai Carmine Zottoli e com seu tio Carmelo Isabella, estabeleceram uma panificadora na principal praça da cidade de Miguel Calmon, denominada Brasitália, a qual produzia variedades de pães, biscoitos e doces, muito apreciados pela população. Mais tarde, ele se mudou para a cidade do Salvador, capital do estado da Bahia, para trabalhar em uma grande loja de eletrodomésticos. Com o passamento dos proprietários e a dissolução desta empresa, ele estabeleceu por conta própria uma panificadora no centro da capital baiana, onde trabalhou até os seus ultimos dias. Em 1988 (se não me fala a memória), viajei com ele e minha irmã para a Italia, indo visitar a cidade de Trecchina, ele muito emocionado ao rever sua terra pela primeira vez desde que partira ainda criança, ao encontrar seus parentes, em visitar o túmulo de sua genitora, os locais de sua infância, a Piazza del Popolo com a igreja matriz, a cidade velha e o castelo, a igreja de Santo Antônio, seu santo onomástico, a pequena gruta de Lourdes e, especialmente uma capelinha no alto de um monte onde ele cheio de emoção tocou um sino como fazia em seus dias de Trecchina. Visitamos também Maratea onde ele estudou, incluindo a igreja de São Braz. Estendemos nossa viagem á cidade de Latronico para visitar alguns parentes dele que aí viviam. A visita a Latronico coincidiu coma inauguração de uma nova igreja cujo pároco, chamado Don Guido, era seu parente. Foi uma viagem inesquecível porque tive a companhia dele continuamente a nos explicar, com muita boa vontade e orgulho, as coisas da Itália. Sempre torceu pela sua adorada Azurra, o que constituía um certo problema para nós em dias de Copa do Mundo. Adaptou-se muito bem á vida brasileira, apreciava muito as nossas praias, as festas de Carnaval, as viagens pelo Brasil, o churrasco de nossa culinária mas sem nunca esquecer as coisas, os costumes e a deliciosa gastronomia italiana. Tive longas conversas com o Sr Carmine Zottoli, eu gostava de ouvir seus relatos sobre a Itália, principalmente sobre episódios vividos na Segunda Guerra Mundial, quando ele lutou como soldado terminando prisioneiro dos ingleses no Norte da África. Era um homem alto, forte e bem disposto denotando o vigor de sua formação militar. Do Sr. Carmelo Isabella guardo muitas recordações pois ele muitas vezes me atendeu em sua panificadora solucionando meu ávido apetite infantil pelas gostosas guloseimas italianas de sua padaria. Ele tinha uma paralisia do membro superior direito e acho que por isso não foi recrutado na guerra. Uma pessoa muito afável, sociável e de muita conversa interessante. Essa conversa também será lida na Itália.

Você pode dizer aos italianos que terão a oportunidade de lê -lo porque precisam visitar Miguel Calmon e a área geográfica que o rodeia? O que é interessante nesses lugares?

Bem, Miguel Calmon com 100 anos como município seria um recém-nascido para a milenar Itália com séculos de história, desenvolvimento e progresso. Assim, o que mais temos a mostrar são a riqueza dos nossos biomas, caatinga e mata tropical, sua flora e fauna peculiares. Nesse sentido, foi criado e mantido pelos poderes municipais o Parque das Sete Passagens onde será possível ter um contato com a natureza local, percorrer suas trilhas, banhar-se em suas cachoeiras e sentir os odores da liberdade selvática. Muito visitada também é a Gruta dos Brejões com interessantes formações geológicas. Na cidade, vale a pena subir a escadaria do monte Cruzeiro, ladeada pelas estações da Via Sacra, podendo ter do topo do monte uma bela vista panorâmica de toda a cidade. Deve ainda ser visitados a Igreja Matriz, a antiga Estação Ferroviária e a praça principal Lauro de Freitas. Quanto á culinária poderão apreciar a moqueca, a feijoada, o sarapatel, o carurú, o vatapá, o pirão de leite com carne de sol, a rabada, o churrasco com farofa, o cuscús, os beijús e os doces regionais como arroz de leite, ambrosia, canjica, mugunzá e os doces, sucos e sorvetes das frutas tropicais. A festa mais popular da cidade são os festejos de S. João, no mês de junho, quando acorrem muitas pessoas vindas de vários lugares do estado da Bahia e que é abrilhantada por bandas de música, concursos da dança Quadrilha, fogos de artifício e feirinha com atesanatos, comidas e bebidas típicas.

Obrigado Dr. Barberino, muito obrigado. E um verdadeiro orgulho falar com aqueles que dedicaram toda a sua vida aos cuidados dos outros também comprometem suas vidas. Obrigado.

Foto 1 1973, Medico in LÁBREA, PURUS, AMAZONAS (copertina)

Foto 2 Panificio BRASILITÁLIA Carmine Zottoli (1°á sinistra) e Carmelo Isabella (3° a sinistra)

Foto 3 Prof. João Barberino e Vicente Micucci alla presentazione dell’Ultimo libro a Miguel Calmon.

Foto 4 Medicos dos Tropicos l’ultimo libro di J. Barberino.

 

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Sull' Autore

Martina Marotta è nata nel 1997 a Prato, città dove vive. Ha frequentato il Liceo delle Scienze Umane “Rodari” di Prato. Nel 2020 ha conseguito la Laurea Triennale in Progettazione e Gestione di Eventi ed Imprese dell’Arte e dello Spettacolo (Pro.Ge.A.S.) presso l’Università degli Studi di Firenze con una tesi sulla etnomusicologia lucana. Nel 2023 ha conseguito la Laurea Magistrale in Comunicazione Pubblica, Digitale e d’Impresa – Media Digitali, presso l’Università degli Studi di Perugia con una tesi sulla politicizzazione della corruzione su Facebook. Fin da giovanissima (7 anni) ha scritto in versi ed in Prosa persino sui muri di casa. Partecipa ai primi concorsi letterari quasi per gioco ed ancora prima di compiere i diciotto anni era stata premiata più di 350 volte (vincendo in Italia ma anche in Australia, Grecia, Svizzera). Ha scritto il suo nome negli albi d’oro dei più prestigiosi concorsi italiani. Seconda classificata al Festival Europeo della Poesia ad Atene. Premiata più volte “alla carriera” già dall’età di 12 anni. É accademica in più Accademie Letterarie italiane ed estere. Oltre 150 antologie letterarie hanno pubblicato sue poesie. Le sue liriche sono state recensite dai più quotati critici letterari. A febbraio 2010 pubblica “L’Arcobaleno della III A” (Attucci Editrice). Nel 2011 è nominata Alfiere della Repubblica dal Presidente Napolitano. A dicembre 2011 le viene conferito il Gigliato d’Argento dal Comune di Prato. Ad ottobre 2013 il suo secondo libro: “io spero che …” e pochi mesi dopo le viene conferita, in Svizzera, la laurea H.C. In letteratura dell'emarginazione. Premiata dal Presidente della Camera e dal Presidente del Senato, nel 2013, per meriti letterari. Si occupa di pittura, musica (suona flauto traverso, chitarra, tastiere, altri stumenti a corda), fotografia. Volontaria della Croce Rossa Italiana dove ricopre più ruoli anche a livello regionale. Da gennaio 2025 è Presidente nazionale dell'Associazione Nazionale Alfieri della Repubblica Italiana (A.N.A.R.I.). Collabora con varie testate giornalistiche e partecipa come inviata al festival Internazionale di Giornalismo di Perugia nel 2022 e 2023. Sempre nel 2023 il suo terzo libro di poesie, Un Diamante fra le stelle (attucci editrice), dedicato a sua madre recentemente scomparsa. Il libro contiene, oltre alle poesie, anche 50 foto naturalistiche ad altra risoluzione. In uscita, nei prossimi mesi, altri due libri, uno sulla emigrazione italiana in Brasile ed un secondo (in Italiano, Inglese, Persiano) sulla condizione delle donne in Afghanistan con la commovente intervista ad una giornalista afghana attualmente profuga in Europa. Da oltre un anno Martina sta promuovendo il suo libro “Un Diamante fra le stelle”con un Tour letterario che farà tappe in Italia ed in Europa. Maggiori informazioni sul sito www.martinamarotta.it

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